Você analisa a altimetria de suas provas? Sabe como usá-las?

Por André Lima

Uma das principais características das provas de Trail Running é a variabilidade de altimetria, que é um dos principais diferenciais em comparação com as competições tradicionais de corrida de rua. As subidas e descidas constantes neste tipo de prova, aliadas ao tipo de terreno, são responsáveis pela definição do nível de dificuldade dos percursos.

Altimetria dos 21km de Curitiba.

O estudo prévio da altimetria de percurso em provas ou treinos é primordial para sua estratégia de treinos e prova. Fatores como ritmo, avaliação de trechos onde se deve correr ou caminhar, plano de suplementação e hidratação, dentre outros, estão intimamente ligados com a altimetria de percurso a ser enfrentado, todavia nem todos os corredores dão a devida importância ou sabem avaliar esta variação.

Muitos organizadores das provas de trail disponibilizam o gráfico de altimetria dos percursos e é através deles que calculamos o acúmulo de desnível nas competições.

Para exemplificar o calculo, imagine a seguinte situação:

Uma prova de trail de 21 km que se desenvolve em percurso plano até o quilômetro 15, e a partir daí ocorra uma subida com ganho de altitude máxima de 500 metros. Este valor representa o DESNÍVEL POSITIVO. Agora imagine que no quilômetro 19 desta mesma prova exista uma descida, que em altitude represente uma perda de 300 metros. Esta perda é chamada de DESNÍVEL NEGATIVO. Se esta mesma prova se encerrar com um trecho plano, podemos concluir que o  DENÍVEL ACUMULADO foi de 800 metros, pois este é aferido pela soma dos valores entre o desnível positivo e o negativo.

[DESNÍVEL NEGATIVO(m)] + [DESNÍVEL POSITIVO(m)] = [DESNÍVEL ACUMULADO(m)]
500m [NEGATIVO] + 500m [POSITIVO] = 800m [ACUMULADO]

Outro dado muito importante de saber antes da prova é o GANHO ACUMULADO, que consiste em somar todos os desníveis positivos da prova.

[DESNÍVEL POSITIVO(m)] + [DESNÍVEL POSITIVO(m)] + […] = [GANHO ACUMULADO(m)]

Por último, mais um cálculo muito interessante para se definir as estratégias do treinamento é o gradiente de inclinação das montanhas, definido em percentual. Este valor é o mesmo que as esteiras apresentam quando se deseja treinar com alguma inclinação.

Imagine a mesma montanha do exemplo acima. Suponhamos que aquela subida de 500 metros de altitude tenha uma extensão de 2 km. Logo concluímos que a chegada ao ponto mais alto da montanha ocorrerá no quilômetro 17 da competição. O gradiente de inclinação desta montanha será medido pelo simples cálculo:

[DESNÍVEL(m)] x 100 / [DISTÂNCIA(m)] = [GRADIENTE DE INCLINAÇÃO(%)]
500m x 100 / 2000m = 25% de inclinação

Percebe-se assim que esta seria uma grande subida, tomando como referência a maioria das esteiras de corrida atuais que alcançam entre 15 a 18% de inclinação máxima.

Vale observar ainda que alguns aplicativos e equipamentos também oferecem o recurso de aferição destes valores através de dados topográficos. Para isto basta que o usuário possua a rota dos percursos mapeada por GPS (Global Position System) ou extensões similares.

Deste modo, fica evidente a importância de se realizar um estudo detalhado das provas que pretenda disputar, tomando por base seu nível de dificuldade utilizando como um dos critérios o cálculo de altimetria.

Uma estratégia bem definida é metade do caminho percorrido, o resto só depende de você.

Bons treinos!!!

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