As lições sobre a saúde mental e o atleta Olímpico

Foto: Alê Cabral/ CPB

POR DRA. WÂNIA SIERRA – Atletas não são máquinas programáveis. São seres emocionais e sociais. Portanto, como qualquer outra pessoa, estão expostos ao stress, a pressões externas, internas, autocobrança.

Recentemente, as Olimpíadas nos mostraram uma nova face dos atletas. Eles passaram não só a refletir sobre seus limites, mas também a falar e fazer escolhas em relação às competições, pensando e tentando preservar sua saúde mental.

Quando penso em saúde mental no atleta, me vem à mente as sensações e sentimentos que eles experimentam no seu dia a dia, tanto nos treinos como nas competições.  Ansiedade, angústia, medo, autocobrança, depressão, pressão, que pode vir de várias formas, interna ou externa. Eu acredito que a saúde mental demorou para ser levada em consideração da forma como tem sido vista hoje em dia.

O fortalecimento emocional se constrói com um trabalho terapêutico.

Cada atleta que participa de uma olimpíada, mesmo muitos não acreditando, já são vencedores. Ouvi algumas entrevistas durante as Olimpíadas de atletas dizendo que estavam decepcionados consigo mesmo pois não conseguiram a marca desejada.  Claro que todos estão em busca da tão sonhada medalha. Mas, muitas vezes, suas emoções não trabalhadas adequadamente fazem com que paguem um “preço” alto. Esse “preço” se reflete na sua saúde mental. Que pode ser na forma de depressão, ansiedade ou até lesões, que nunca se espera numa competição, mesmo sabendo que todos estão expostos.

A pressão interna, a cobrança que o atleta sente de seus treinadores, colegas, familiares e fãs trazem um peso muito grande quando o atleta não esta preparado emocionalmente para enfrentar. E isso prejudica seu desempenho.

Existe uma emoção que acredito ser importantíssima ser trabalhada sempre: a frustração. Para que alguém vença outros não vão vencer. E isso será sempre assim. Aceitar que não venceu pode trazer emoções e sentimentos desagradáveis para os atletas. Porém nem sempre se ganha, assim como nem sempre se perde. Eu sempre digo aos meus atletas, a preparação que vocês fazem é sempre para alcançar uma melhor performance, as melhores marcas, mas isso pode não acontecer sempre. Ter essa consciência ajuda em baixar suas expectativas de sempre ser bom e lidar com os dados da realidade. Seus treinos, sua alimentação, seu emocional.

O que fazer então?

Gosto muito de trabalhar com meus atletas sempre de forma preventiva. Mesmo assim, esses sentimentos ou frustrações podem acontecer. Mas a visão e a vivência será outra. O fortalecimento emocional se constrói com um trabalho terapêutico.

Tentar ser perfeito traz sofrimento, peso, tensão. Fazer o seu melhor implica em você usar o que sabe com leveza, sem pressão.

Certa vez um paciente me perguntou: Como eu sei que estou tentando ser perfeito ou se estou fazendo o meu melhor? Creio que a resposta serve para o esporte. Tentar ser perfeito traz sofrimento, peso, tensão. Fazer o seu melhor implica em você usar o que sabe com leveza, sem pressão. Claro que a busca do crescimento, da melhora de suas marcas faz parte do esporte.

 A questão é:   O esporte não trará sempre pressão? De certa forma sim, mas com fortalecimento emocional tudo poderá ficar mais leve. E poderemos continuar vendo nossos atletas Olímpicos performando de forma brilhante como sempre gostamos de ver.

Que a psicologia do esporte possa auxiliar nossos queridos atletas.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *