Frio amigo

POR JOSÉ VIRGÍNIO DE MORAIS – Entender melhor cada dia de frio pode estar relacionado aos seus objetivos do dia, do seu planejamento de prova ou de férias e tudo sempre será uma questão de posicionamento e para onde você canalizará sua energia.

Eu já corri em dias em que os termômetros marcavam 10°C e, mesmo de bermuda, camiseta e no máximo um boné, o que mais me importava era o que eu estava fazendo para o direcionamento meu objetivo.

Já em treinos de algumas horas a mais, muitos quilômetros nas pernas e com um sol para cada um, o que pegava mesmo no final era a minha pele enrugada, um pouco de sal no rosto e nas roupas e uma friaca de bater os beiços. Isso era a famosa fadiga pós-treino.

Gosto de deixar mãos e pés sempre com uma camada melhor de proteção (com luvas e meias) para que eu possa sempre dar a atenção necessária para o que de fato eu quero fazer: correr.

Em dias de sol, que nunca nos falte uma camiseta, óculos escuros, uma bermuda e, claro, quando o cenário e as companhias forem aquelas que nos motivam sempre, uma bela foto para registrar.

Quando o dia estiver cinza, como aqueles sem chuva, sol ou vento em que você se pergunta ‘que dia é hoje’, talvez a gente nem separe o “melhor conjuntinho” para correr, pela falta de beleza do dia ou por não nos parecer inspirador.

Mas o dia do teste bruto mesmo é justamente aqueles em que o som das ruas vem com centenas de pingos carregados de vento em uma trilha sonora sem fim. Estes realmente são os mais difíceis, mas quando eu faço o planejamento nunca coloco estes momentos.

Depois que inventaram os planos e suas opções, como A, B, C, D, etc., o plano A muitas vezes é o mais prejudicado.

Para mim, porém, o plano sempre será o A, pois penso que a chuva pode regular minha temperatura interior e evitará aquela busca desesperada por uma gota d’água. Enquanto muitos já partem para o plano B, eu penso que neste dia as ruas do meu bairro, as trilhas ou mesmo as estradas serão totalmente minhas.

Hoje só tenho a agradecer a minha parceira de material esportivo, a Loja Equilíbrio Esporte, que está comigo nos planos A, junto com a Salomon Brasil e toda sua tecnologia aplicada, seja no frio ou calor.

Quando em 2003 estava me preparando para correr a Maratona Internacional de Blumenau, conhecida como a mais fria do calendário, recordo que meu técnico na época, o Jair Rossetti, me orientou a começar a gostar do frio, treinar em temperaturas baixas e saber lidar com o corpo nessas condições.

Super entendi, passei a sair para os treinos às 5h da manhã com os termômetros marcando 8 ou 10°C, vestindo um short, regata, meias e com o planejamento sendo seguido à risca, sempre com a meta de manter o plano A. No começo da minha carreira, a adaptação ao frio foi bem raiz, mas hoje tenho o privilégio de ter toda a tecnologia à minha disposição.

Nunca teremos em todos os dias o melhor cenário, nunca teremos a melhor tecnologia disponível, mas nunca podemos deixar o clima ou alguém mudar o nosso plano. Tenha como meta sempre o plano A, pois se algo sair da linha, você possa voltar a buscá-lo em algum momento.

Curiosidade:

Minha melhor marca da distância de 42.195m (maratona) foi em Blumenau 2003 com o tempo de 2h22min10, com a 7ª colocação geral.

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