CORRIDA X HÉRNIA DE DISCO

Por Bernardo Sampaio

Dr. Bernardo Sampaio, fisioterapeuta e diretor clínico.

Será que durante a prática da corrida estamos de fato, colocando em “risco”, a nossa coluna vertebral? Para responder esta questão é importante analisarmos que o nosso corpo passa por alterações naturais, como por exemplo, a desidratação e o envelhecimento da pele; e que esse processo também ocorre nas estruturas da coluna, e isso não é um indicativo de que irão aparecer problemas graves e dores insuportáveis.

Outro ponto importante é que não somente com a idade mais avançada é que alterações estruturais estarão presentes. Como forma de ilustrar, quero destacar que as protrusões discais, por exemplo, estão presentes em 30% da população com média de 20 anos de idade, 60% com média de 50 anos de idade e 84% com média de 80 anos.

E tanto a hérnia de disco, quanto as protrusões discais costumam estar presentes em exames de imagem, gerando um diagnóstico superficial e as vezes até mesmo, equivocado.  Diante desse cenário tenho visto muitos atletas deixarem a corrida de lado depois de terem recebido um diagnóstico de hérnia de disco, apenas com exames de imagem.

Então quero tranquiliza-los e dizer que podem continuar com a atividade física normalmente. Isso mesmo. Durante a corrida não colocamos os discos vertebrais e a coluna em risco!

Em 2017 um estudo muito importante foi publicado pela revista Nature, demonstrando a incrível capacidade de adaptação a carga dos nossos discos intervertebrais. O estudo demonstrou que a carga axial repetitiva na coluna durante a corrida em indivíduos saudáveis pode ser benéfica para os discos intervertebrais. Neste caso, os discos intervertebrais lombares de indivíduos que correm apresentaram-se mais hipertrofiados em comparação a indivíduos sedentários. Também foi demonstrado que a caminhada ou corrida leve, a uma média de 7 km/h., seria uma zona ideal de impacto; e também que indivíduos que correm 20 e 50 km semanais apresentam melhores propriedades no disco intervertebral.

Portanto revelo que a corrida não atrapalhará a saúde do disco. O impacto é importante. Por isso, sugiro sempre uma progressão gradual no treino para que ocorram as adaptações necessárias e não apareçam os sintomas relacionados as hérnias de disco.

Então quem tem hérnia de disco pode correr? Sim! Claro que no seu devido momento, pois quando ocorre uma crise devemos melhorar as condições funcionais, com o acompanhamento profissional adequado e aos poucos, ir introduzindo novamente o gesto esportivo, dentro de um programa de reabilitação adequado.

A dica então é ficar atento aos sinais do corpo e evitar ao máximo limitar os movimentos do tronco devido a hérnia de disco. Ao longo prazo essa atitude pode ser muito proveitosa. Além disso, manter-se ativo é uma das melhoras formas de prevenção de crises de coluna e caso apareçam sintomas locais nas costas ou irradiação para braços ou pernas procure um profissional habilitado para lhe fornecer um diagnóstico clínico (médico) e um para o diagnóstico funcional (fisioterapeuta) para que o seu processo de reabilitação seja completo e você possa continuar no esporte.

 

Dr. Bernardo Sampaio é o fisioterapeuta responsável pela Unidade de Guarulhos do ITC Vertebral e Instituto Trata, é também diretor regional da Associação Brasileira de reabilitação de coluna – ABR Coluna. Com experiência em fisioterapia ortopédica, traumatologia e esporte, o profissional possui especialização em fisioterapia músculo esquelética, aprimoramento em membro superior e oncologia ortopédica pela Santa Casa de São Paulo. Bernardo Sampaio é graduado pela PUC- Campinas com formação em osteopatia clínica pela Académie de Thérapie Manuelle Et Sportive (Belgica), é também autor do artigo Whiplash no livro hérnia de disco e dor ciática do Dr. Helder Montenegro. Saiba mais em: www.institutotrata.com.br e www.itcvertebral.com.br

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