Plano A, B, C e Quem Sabe D

Por Luciane Casanova

Quando participamos de uma prova, o plano traçado é sempre o mesmo: largar num ritmo bom, manter até o meio e acelerar nos últimos quilômetros.

Porém, assim como tudo na vida, nem sempre o plano dá certo, seja, por uma lesão, sol forte, por uma dor de barriga inesperada, por um mal jeito no dia anterior, uma noite mal dormida, não importa, fato é que muitas vezes precisamos pensar rápido para que todo o nosso trabalho não vá por água abaixo.

Ok, o plano A não deu certo. Você já sabe que não vai conseguir concluir a prova do jeito que imaginou durante os treinos, com uma postura linda, passadas largas, fôlego de queniano e cruzando a linha de chegada com um sorrisão banana na horizontal acenando para o fotografo. Não é o fim do mundo.

Se você teve a sorte de perceber isso antes da largada, terá duas opções: desistir ou arriscar. Muitas pessoas sentem calafrios só de ouvir a palavra: DESISTIR. Pois saibam que desistir, muitas vezes, é a decisão mais acertada que se pode tomar. De que adianta correr com dor, se depois terá que parar e quem sabe por muito mais tempo?

Quando tive a Síndrome do Piriforme, lembro bem, participava de 3 Campeonatos simultâneos com 6 etapas cada um. Na última etapa de todos, eu estava em primeiro lugar, bem longe da pontuação da segunda colocada. Eu poderia não correr aquela etapa, mas insisti. A dor era tanta que meus olhos lacrimejavam e eu gemia durante o percurso. Quanta irresponsabilidade! Quando ouvi do médico que por muito pouco a lesão não havia necrosado, me bateu um alivio e a sensação de que aquela atitude de continuar poderia ter colocado tudo a perder e me afastado da corrida pra sempre.

Claro que se o problema for mais simples, um dia mais abafado, umidade baixa, gripe, mal estar, dá para levar o desafio adiante, mas com a consciência de que terminar a prova será mais importante do que o cronômetro.

Trote. Você não precisa fazer o seu melhor tempo em toda prova que participa e não se sentindo bem com certeza não o fará obter índice para Olimpíada! Vá na manha, curta o percurso, esqueça o relógio.

Ok, você não quer desistir, mas também sabe que não vai conseguir correr todo o percurso, ainda que trotando. Caminhe! Que mal há? Hoje em dia as caminhadas fazem parte dos treinamentos mesmo para quem corre. Alternar caminhada e corrida é sempre uma boa pedida para ganhar condicionamento físico. Então, por que não usar esse treinamento durante a prova?

O importante é saber o seu limite e não ultrapassa-lo. Respeitar o corpo e sua saúde deve ser sempre sua maior prioridade. Colocar em risco todos seus quilômetros por alguns não é uma decisão acertada. Um bom corredor sabe quando seguir ou quando parar.

#correrbemparacorrersempre

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *