A força das crews: o que uma jornada por 18 estados revelou sobre a corrida brasileira

Durante a celebração de seus 50 anos, a Olympikus percorreu o país e identificou nas crews e grupos de corrida um dos movimentos mais relevantes para o crescimento do esporte

A corrida de rua no Brasil está cada vez menos associada apenas à performance e cada vez mais ao senso de pertencimento. Essa foi uma das principais conclusões de uma jornada realizada pela Olympikus para celebrar seus 50 anos de história. Ao longo de 2025, a marca percorreu as cinco regiões do país, passando por 18 estados, 29 cidades, mais de 2.300 quilômetros de percurso e reunindo cerca de 300 mil corredores em 50 corridas e ativações. Mais do que números, a iniciativa revelou a força de um movimento que vem transformando a forma como os brasileiros se relacionam com o esporte: o crescimento das crews e comunidades de corrida.

Das ruas do Subúrbio Ferroviário de Salvador aos parques de São Paulo, da orla de Porto Alegre às avenidas de Santarém, a marca encontrou uma corrida cada vez mais coletiva. Em diferentes regiões, grupos de corredores vêm assumindo um papel que vai além do treinamento esportivo, criando espaços de convivência, fortalecendo identidades locais e ampliando o acesso à prática esportiva.

“Com esse projeto nós nos aproximamos ainda mais de quem faz o corre acontecer para além dos grandes circuitos. Em cada cidade que visitamos encontramos grupos que usam a corrida para criar pertencimento, fortalecer identidades, ocupar espaços e transformar realidades. Talvez esse seja o fenômeno que melhor representa a corrida brasileira hoje”, afirma Bianca Dallegrave, diretora-executiva de marketing da Olympikus.

As comunidades estão mudando a porta de entrada para a corrida

O crescimento das crews é uma nova porta de entrada para o esporte e os dados da pesquisa Por Dentro do Corre 2025 já apontavam esse caminho. A edição mais recente do estudo mostra que mais da metade dos corredores brasileiros participa de grupos ou comunidades de corrida, reforçando uma tendência que a Olympikus viu ganhar força ao longo da jornada dos 50 anos.

Em praticamente todas as regiões do país, os treinos organizados ao lado de crews locais reuniram centenas — e, em alguns casos, milhares — de participantes. Esses encontros funcionaram como espaços de socialização, acolhimento e construção de identidade.

“O que vimos foi que muita gente não está entrando na corrida por uma planilha de treino ou por uma meta de performance. Está entrando porque encontrou no esporte um grupo, fez amigos, se sentiu pertencente. A corrida virou uma plataforma de conexão humana”, analisa Bianca.

Ao percorrer o Brasil, a marca encontrou diferentes manifestações desse mesmo fenômeno. Embora cada grupo tenha sua própria identidade, todos compartilham um elemento em comum: a capacidade de transformar a corrida em uma experiência coletiva.

Identidade, representatividade e ocupação dos espaços

Entre os grupos que participaram da jornada de 50 anos da Olympikus, alguns traduzem de forma especialmente clara as diferentes formas que a corrida pode assumir pelo Brasil.

No Rio Grande do Sul, o Corre Preto reuniu corredores para celebrar a cultura negra e fortalecer a representatividade preta no esporte. A parceria com a Olympikus resultou em treinões e em uma corrida especial realizada no Dia da Consciência Negra, com a participação de cerca de 1.200 pessoas em um grande encontro no Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre. A data também foi celebrada em São Paulo, com o coletivo Corre Kilombo, que ocupou espaços simbólicos da capital paulista.

“A corrida sempre foi um espaço de encontro, mas nem sempre foi um espaço onde todas as pessoas se sentiam representadas. O que vimos ao longo desse projeto foi uma disposição genuína de conhecer diferentes realidades e entender como a corrida pode fortalecer identidade, autoestima e pertencimento. Quando uma marca se aproxima das comunidades dessa forma, ela ajuda a ampliar vozes que historicamente ficaram à margem da narrativa esportiva”, afirma Nicole Mengue, corredora e coordenadora do Coletivo Corre Preto.

As experiências mostraram como a corrida vem sendo utilizada por diferentes grupos para ampliar representatividade, promover inclusão e criar espaços onde mais pessoas possam se reconhecer dentro do esporte.

Quando a corrida transforma territórios

A jornada também revelou a força da corrida como ferramenta de transformação territorial.

Em Salvador, a SBN Running mostrou como o esporte pode fortalecer comunidades e ocupar espaços públicos. Nascido no Subúrbio Ferroviário da capital baiana, o grupo transformou as ruas da região em ponto de encontro para corredores de diferentes perfis, reunindo seu maior público durante uma das ativações dos 50 anos da Olympikus.

“No Subúrbio Ferroviário, a corrida se tornou muito mais do que atividade física. Ela conecta pessoas, movimenta o território e cria referências positivas para quem vive aqui. Receber uma iniciativa como essa mostrou que existem histórias importantes acontecendo fora dos grandes centros e que elas também merecem visibilidade”, afirma Dani Santos, cofundador da SBN Running.

A experiência reforçou uma percepção recorrente ao longo da jornada: muitas das histórias mais relevantes da corrida brasileira estão surgindo longe dos grandes centros e dos circuitos mais tradicionais.

Diferentes comunidades, o mesmo propósito

O projeto também acompanhou o crescimento de comunidades formadas a partir de interesses, vivências e experiências compartilhadas.

A comunidade Chapadinhas de Endorfina, que reúne mais de 590 mil mulheres nas redes sociais, esteve presente em diferentes momentos da celebração e mobilizou centenas de corredoras em encontros realizados no Rio de Janeiro, tendo como foco bem-estar, acolhimento e conexão por meio da prática esportiva.

Em Curitiba, a High Pace participou de ativações ao longo da jornada, reforçando o papel das crews urbanas na construção de uma cultura de corrida cada vez mais conectada ao estilo de vida e à convivência.

Já em Santarém, no Pará, o Papa-Léguas Turbo mostrou a força dos grupos que crescem fora dos grandes centros. Os treinos semanais transformaram a corrida em um hábito coletivo e acessível, reforçando a capacidade das comunidades de ampliar o acesso ao esporte e incentivar novos corredores.

Apesar das diferenças culturais, geográficas e sociais, os grupos visitados ao longo do projeto demonstraram como a corrida tem servido como ferramenta de conexão entre pessoas que compartilham valores, objetivos e experiências de vida.

A corrida acontece muito além da largada

Em Porto Alegre, a Salve Corre esteve presente em diferentes momentos da celebração e acabou se tornando símbolo do encerramento do projeto.

Foi ao lado do grupo gaúcho que a Olympikus realizou treinões temáticos, como o encontro de Halloween, além do último encontro da jornada de 50 anos: um grande treinão que reuniu a comunidade local e fechou simbolicamente uma iniciativa que começou nas grandes provas do calendário nacional, mas terminou onde a corrida acontece todos os dias: nas ruas.

“Encerrar esse ciclo junto com a Olympikus teve um significado especial porque reforça algo que acreditamos há muito tempo: a corrida acontece muito antes da largada e continua muito depois da chegada. Ela acontece nos encontros da semana, nas amizades construídas ao longo do caminho e no sentimento de pertencimento que faz as pessoas continuarem voltando. É isso que sustenta a comunidade”, afirma Luis Felipe Ogro, gestor da Salve Corre.

Para Bianca Dallegrave, a principal herança da jornada está justamente na compreensão de que a corrida brasileira vive um momento de transformação cultural impulsionado pelas comunidades.

“Quando você sai do eixo tradicional e passa a correr com o Brasil inteiro, percebe que existem muitas corridas dentro da corrida. Existem comunidades criando cultura, fortalecendo territórios e ampliando o acesso ao esporte. O que aprendemos nesses 50 anos é que nosso papel não é liderar esse movimento. É escutar, apoiar e correr junto com ele”, conclui.

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