Como tornar o diagnóstico precoce do câncer de mama mais preciso

Tecnologia e avaliação individualizada ajudam a identificar alterações em estágios iniciais e a transformar exames em decisões mais qualificadas

Por Dr. Augusto Romão, fundador do KAI Prevention Center e da One Laudos

Durante o Outubro Rosa, é comum reforçarmos a importância dos exames para o diagnóstico precoce do câncer de mama. Essa mensagem continua sendo essencial, mas precisa ir além. O valor de uma investigação preventiva não está apenas na quantidade de exames realizados, mas na forma como eles são indicados, interpretados e analisados em conjunto.

O câncer de mama é o tumor mais incidente entre as mulheres no Brasil, desconsiderando os casos de pele não melanoma. Para cada ano entre 2026 e 2028, o Instituto Nacional de Câncer estima 78.610 novos diagnósticos no país.* Embora esse número seja expressivo, não existe uma trajetória única para todas as mulheres – idade, histórico familiar e pessoal, predisposição genética, densidade mamária e achados anteriores são alguns dos fatores que precisam ser considerados em uma avaliação individualizada.

É nesse contexto que a estratificação de risco ganha relevância. Em vez de aplicar uma mesma lógica a todas as pacientes, ela ajuda a definir uma investigação adaptada às características de cada pessoa. Esse cuidado é importante porque o diagnóstico precoce não deve ser confundido com a realização de exames de forma isolada, sem indicação adequada ou integração com o histórico da paciente. Resultados falso-positivos podem gerar ansiedade, reconvocações e novos procedimentos; por outro lado, uma avaliação insuficiente ou pouco adaptada ao perfil da mulher pode deixar de identificar alterações que merecem atenção.

A tecnologia pode ajudar a encontrar um equilíbrio entre esses extremos: um dos recursos disponíveis atualmente é a tomossíntese, também conhecida como mamografia 3D. Enquanto a mamografia digital convencional produz imagens bidimensionais, a tomossíntese registra diferentes projeções da mama e as reconstrói em cortes finos.

Na prática, isso permite que o radiologista analise o tecido em diferentes planos, reduzindo a sobreposição de estruturas que podem esconder uma lesão ou criar a aparência de uma alteração inexistente. Essa leitura pode ser especialmente útil em mulheres com mamas densas, por exemplo, já que a maior quantidade de tecido fibroglandular dificulta a visualização de algumas alterações na mamografia convencional. A tomossíntese não elimina completamente essa limitação, mas oferece informações adicionais para a caracterização dos achados.

Um estudo publicado na revista Radiology, que analisou 272.938 exames de rastreamento, encontrou uma taxa de detecção de 5,3 casos de câncer a cada mil exames com tomossíntese, diante de 4,0 casos por mil com a mamografia digital. A taxa de reconvocação para avaliações adicionais também foi menor: 7,2%, em comparação com 10,6%.**

No KAI Prevention Center, para realizar a tomossíntese, utilizamos o MAMMOMAT B.Brilliant, mamógrafo mais avançado do mundo, dentro de uma proposta mais ampla de investigação preventiva. O objetivo é reunir diferentes informações para identificar pontos de atenção antes do surgimento de sintomas e apoiar médicos e pacientes na definição dos próximos passos.

Diagnosticar precocemente continua sendo fundamental. O verdadeiro avanço está em reconhecer as diferenças entre as pessoas e usar a tecnologia de forma criteriosa e integrada, transformando dados em decisões mais precisas, conscientes e individualizadas.

*INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Estimativa 2026–2028 – Síntese de resultados e comentários. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios.

**PHILPOTTS, Liane Elizabeth et al. Breast Cancers Detected during a Decade of Screening with Digital Breast Tomosynthesis: Comparison with Digital Mammography. Radiology, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1148/radiol.232841.

 

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