A história da creatina: de descobridor famoso à regularização de venda no Brasil

iStock_000053250664_Small-700x441Proibidos no país até 2010, suplementos de creatina hoje são recomendados para treinos de alta intensidade e até para idosos

A creatina é um dos suplementos alimentares mais utilizados por quem pratica exercícios físicos. Com diversas funções benéficas ao corpo, essa substância possui todo um contexto por trás de sua criação.

Trata-se de uma amina que é sintetizada pelo corpo a partir da glicina e da arginina, dois aminoácidos. Ela é utilizada pelo organismo para fornecer energia durante a prática de exercícios físicos. Para o nutricionista Diogo Círico, da Growth Supplements, a creatina tem um papel efetivo para treinos de alta intensidade.

“Os suplementos dela favorecem o aumento de massa muscular e mantêm os níveis de energia. Por potencializar o desempenho nos treinos, aumentando a força durante os exercícios, a creatina é recomendada para quem deseja hipertrofia muscular”, explica.

Como surgiu?

A creatina foi descoberta em 1832 pelo cientista francês Michel Eugène Chevreul, enquanto fazia uma análise dos tecidos de animais. Para efeito de curiosidade, Chevreul é uma das 72 pessoas que têm o nome escrito na Torre Eiffel.

Apesar de a descoberta ter sido feita pelo francês, quem comprovou a existência da creatina foi um alemão, em 1847. Trata-se do químico Justus von Liebig, que comprovou a presença da substância na carne de animais. Ele fez vários testes e mostrou que em animais selvagens a concentração da creatina era maior do que nos criados em cativeiro. Isso foi o primeiro passo para relacionar atividade muscular e níveis desse composto no tecido muscular.

Estudos e níveis

Muitos anos depois, em 1912, dois pesquisadores da famosa Universidade Harvard, nos Estados Unidos, conduziram testes sobre os níveis dessa substância no organismo. Folin e Denis, como eram chamados, descobriram que, ao dar uma quantidade adicional de creatina a um animal, a concentração da substância subia em níveis de até 70%.

A partir disso, outros estudos foram feitos. Por exemplo, em 1923, Hahn e Mayer calcularam a quantidade de substância que um homem de aproximadamente 75 quilos possuía no corpo. Os números deram em torno de 140 gramas.

Sabemos hoje que a maior parte dessa substância fica estocada nos músculos, enquanto a menor parte fica no cérebro e no coração.

Para que serve?

Após todos esses estudos feitos ao longo do tempo, chegou-se à conclusão de que a creatina é uma fonte de energia ao corpo humano e que poderia ser utilizada para melhorar o desempenho físico de atletas. Disso nasceu a suplementação desse tipo de substância.

No Brasil, apesar de todo esse percurso, os suplementos de creatina e de cafeína foram proibidos pela Anvisa até 2010 – ao contrário de quase todos os países do mundo. Quando a portaria que impedia sua comercialização caiu, muitos especialistas lembraram que ela também pode ser utilizada para fins terapêuticas, indicadas até para idosos.

“Em termos de segurança, eu diria isso com tranquilidade. Ela não é uma substância salvadora, mas seus efeitos terapêuticos são extremamente promissores, por mais que a creatina tenha sido ‘maltratada’ nos últimos anos”, explicou Bruno Gualano, do Laboratório de Nutrição Experimental e Metabolismo Aplicados à Atividade Motora da Escola de Educação Física e Esporte da USP.

Além de ser uma fonte de energia para praticar atividade física, também tem outras funções e benefícios, tais como:

  • Participa do processo de síntese e ressíntese do ATP, sendo a primeira fonte de energia utilizada pelo organismo durante os exercícios físicos;
  • Auxilia na redução de danos aos músculos, pois reduz a fadiga muscular;
  • Favorece a hipertrofia, pois, com mais energia, maior será a intensidade do treino;
  • Faz com que a recuperação após os treinos seja mais rápida;
  • Possibilita maior ganho de massa muscular;
  • Não engorda, pois não possui calorias;
  • Ajuda no ganho de massa magra;
  • É uma substância que retém líquidos nos músculos, por isso, deve-se ter cuidado com possíveis inchaços provocados nessa parte do corpo;
  • Não deve ser consumida em excesso, bem como qualquer outro alimento ou suplemento;
  • É uma substância totalmente segura, mas, antes de iniciar o uso, faça uma avaliação médica.

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