Acerte na Largada

6.chestnut-st1POR LUCIANE CASANOVA – “Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha“. Ontem estava eu assistindo ao filme do Rocky VI, que conta a história de Rocky, o lutador, já aposentado e que decide enfrentar o campeão mundial Mason Dixon. Quase no final do filme, onde ele leva um big knock out do campeão mundial, passa um filminho na cabeça de Rocky onde se lembra de tudo que ele passou até chegar ali.

E é exatamente nesse momento que o treinador fala essa frase, a qual na hora, eu transferi para a corrida. “Não importa o quanto você corre rápido, mas sim, o quanto você aguenta continuar correndo. O quanto você pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha”.

Me veio na cabeça a largada de uma prova. A gente se prepara, a gente sofre nos treinos e de repente quando ouve o fuóóó, sabe se lá por que, algo acontece e a gente simplesmente esquece tudo que tinha planejado.

Ao meu ver a largada é a fase mais importante da prova. É somente após a largada que você tem a noção exata de como você está, que estratégia usará. Fato é que a largada pode levar você a vencer a prova, ou simplesmente te afundar na ânsia de querer logo concluir um resultado.

Levei anos para entender a importância da largada. No começo, lá atrás há mais de 20 anos, largava tranquilinha. Via aquele batalhão de gente afoita passando por mim e nem ligava. O pensamento era de que eles cansariam mais na frente e eu ali na teoria “devagar e sempre” no maior estilo “A LEBRE E A TARTARUGA” conseguiria ultrapassá-los. Lêdo engano. De fato muitos cansavam, de fato, alguns eu até alcançava, mas na grande maioria das vezes, eu largava e não recuperava o tempo perdido na largada.

Alguns anos depois, adotei a técnica kamikase, bastante utilizada por mim até hoje  em situações desesperadoras. Dessa vez, ao contrário da primeira, largava muito forte. Não via quase ninguém na frente, salvo o pessoal punk mesmo. No entanto depois, e aqui cabe dizer, não muito depois, quebrava e me arrastava até o final da prova, perdendo cada segundo que eu havia ganhado no começo.

Foi um período difícil pra mim, pois eu não entendia direito o por quê eu largava forte e fazia o mesmo tempo de quando eu largava devagar. Desanimei bastante nessa época. Foi a partir de 2009 que comecei a treinar tiros por conselho de um amigo lá de Portugal. O técnico dele me passou uma planilha, (sim, minha planilha é europeia, olha quanta chiqueza) onde havia muitos tiros. Passei a largar razoavelmente forte e me manter na mesma velocidade até chegar no Sprint final.

Não há mistério, há estratégia. Sem afobação, curta a largada, se mantenha naquele ritmo. Esqueça o pessoal que atropela. Deixe eles irem, vá no ritmo que  achar certo e depois é uma questão de administrar.

Quanto a vencer, não quer dizer ganhar troféu, subir no pódio., mas sim vencer a si mesmo, vencer a vontade de querer parar, vencer a decepção de não fazer o tempo desejado.

Larguem com calma. Analisem se aquele é mesmo um bom dia para testar a sua força, se o clima é ideal. Não dá pra achar que a gente vai bater recorde pessoal em 38ºC de sol. Então pra que largar forte? Não dá pra achar que a retenção de líquido que a gente tem na TPM não vai nos deixar pesadas, porque vai sim. Não dá pra ser o melhor sempre e nem teria graça em ser.

Nem todas as provas devem ser lindas, mas se largarmos direito, aquela corridinha que a gente se inscreveu só pra brincar pode virar a maior de todas com direito a quebra de recorde pessoal.

Não opte por  sofrer só em dia de prova. Quem optar por isso corre o risco de se desestimular rapidamente já que a corrida também tem o cunho de dar prazer e não só sofrimento. Tem que sofrer em treino também. Tem que tentar aguentar no ritmo que deseja correr, mas se não der, outros desafios virão.

Engraçado. Passados tantos anos, cá estou eu falando de largada. Como se eu já controlasse as pernas e o impulso após ouvir o fuóó…Como se eu nunca mais tivesse largado afoita e tão logo passsse pelo tapete de chegada dissesse: “Mas que corrida lixo foi essa que eu fiz?” Como se eu conseguisse cumprir a promessa de ver alguém passar por mim na largada e não querer ir atrás até chegar junto. Coisas que só a adrenalina nos proporciona.

Temos tanto pra aprender. Somos corredores em evolução e muitas vezes, desevoluindo. O importante é saber resistir, no ritmo inicial ou não, chegar até o final, é assim que se ganha.,  e é assim que nos vencemos.

#correrbemparacorrersempre

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