Por Priscila Martins Ortiz
Algumas experiências vão além da corrida. E
elas começam antes da largada e continuam muito depois da linha de chegada. A minha primeira Indomit foi assim. Eu fui convidada pela Columbia para produzir conteúdo e viajar a trabalho por si só já tem um peso diferente, da responsabilidade, da expectativa e da entrega. Mas dessa vez ainda tinha um algo a mais. Era também a minha estreia no trail running.
Um território novo, longe do asfalto, fora da zona de conforto, distante de tudo o que eu já conhecia sobre correr. Em São Bento do Sapucaí, cercada por natureza, altimetria e terreno irregular, eu encontrei uma dinâmica completamente diferente das provas de rua.
No trail, não dá pra correr no automático, você precisa estar presente mentalmente o tempo todo. E talvez seja isso que deixa tudo tão intenso. É difícil e desafiador, mas ao mesmo tempo gostoso de viver. Não é só ritmo, é leitura de terreno, adaptação o tempo inteiro e uma conexão muito mais forte entre corpo e mente.
Cada subida pede paciência, cada descida exige controle. Estar ao lado de atletas que são referência, que vivem o trail de verdade, que respeitam o processo, o corpo e a montanha também mudam a forma como você enxerga a corrida.
Ali, a performance não vem sozinha. Ela vem junto com troca, incentivo e um senso de comunidade muito forte. O time da Columbia foi craque em gerar essa experiência. Desde o shakeout run, na véspera, isso já era claro. Um momento leve, de conexão real entre atletas, marca e pessoas com o mesmo propósito, dar o seu melhor, superar limites e, para alguns, ainda conquistar o pódio.
Já na largada veio aquele frio na barriga diferente. A energia que cresce, a respiração fica mais ofegante e no coração aquela mensagem que ecoa antes de começar, quase como um lembrete coletivo do que realmente importa ali: “A força provém de uma vontade indomável”
Porque no trail, você não controla tudo, você se adapta. E completar os 12K foi importante, claro, mas não foi o principal. O mais importante foi me permitir viver algo novo. Me entregar, me divertir, e ver o quanto sou capaz de superar os meus limites. Foi difícil e foi desafiador, sim, mas ainda assim, foi leve. E posso dizer, sem dúvidas, que também foi viciante.

