Minha estreia na 98° Corrida de São Silvestre

Por Cássia Cunha

A corrida de São Silvestre já fazia parte do meu imaginário desde criança, lembro de assistir pela TV quando a prova ocorria no período da noite. A corrida mudou de horário, mas o encantamento sempre foi o mesmo. Somente no ano passado que passei a olhar para a prova com outros olhos: o motivo é que ingressei no universo das corridas, além do relato de vários amigos que costumam participar.

Uma amiga jornalista já havia feito o convite para participarmos da São Silvestre e pontuado: “São Silvestre é uma prova de conclusão e para pagar promessa”. As inscrições esgotaram rapidamente, acabei deixando de lado a vontade, mesmo assim, tinha esperança de que novas vagas fossem abertas.

Expliquei a situação para o meu treinador, afinal, nunca havia participado de uma prova com 15km. E mesmo com um tempo curto, iniciamos um treinamento que incluiu subidas e aumento da distância percorrida. Saí das corridas de 5km, para uma prova de 10km e treinos de 13km. Já estávamos no mês de dezembro, quando um recebo uma mensagem: “Prepare-se! Daqui a 5 minutos abriremos novas inscrições para a São Silvestre!”.

Novamente era uma nova oportunidade de comprar a inscrição para a prova, por isso, nem pensei muito, acessei o site e incluí a inscrição no carrinho e na hora de efetivar a compra, refleti: “Compro ou irei lamentar? Comprei!”.

Os dias foram se aproximando e durante as conversas com o treinador, fui pontuando que estava me sentindo relativamente tranquila. A ficha só começou a cair, quando passei a receber os informativos sobre a retirada do kit. A ansiedade era tamanha que havia escolhido retirar logo no primeiro dia. Ao chegar no Expo Center Norte, na zona norte de São Paulo, entendi um pouco a grandiosidade da prova, eram os mais variados sotaques que também estavam ali para a retirada. O saldo final? Uma hora de fila. Na véspera da prova descansei e arrumei tudo o que precisava para a prova. Não é somente separar cada item, vai muito mais além de separar os shorts de corrida, top, camiseta, meia e tênis. É um ritual de mentalizar o trajeto e torcer para que dê tudo certo.

No dia da prova e durante o trajeto me deparo novamente com a magnitude de São Silvestre. Às 6h30 o metrô já estava repleto de corredores, só quem está acostumado com a cidade entende. Parecia a hora do rush com tantos corredores fantasiados. Ao desembarcar na Avenida Paulista, as ruas paralelas com filas intermináveis de ônibus de outros estados e cidades estavam estacionados. Para entender a adesão de tantas pessoas é preciso entender a motivação. É um evento com corrida de rua, e não somente uma corrida de rua.

Pesquisando sobre a prova, li e ouvi recomendações que diziam para curtir a foto, fotografar outros corredores, entre outros. O público é muito variado e muitos outros estão ali pela diversão que encontram num evento como esse e, a oportunidade de fechar um ciclo e abrir um novo. Percorri os 10km apreciando cada quilometro e cada participante fantasiado ou não. Durante a corrida, famílias e crianças ficavam nas calçadas assistindo e incentivaram bastante, a felicidade delas em um simples bater de mão (high five) com os participantes. Ao chegar na tão temida Av. Brigadeiro, as coisas começaram a fazer sentido e pensei: estou aqui e agora é hora de enfrentar. Realmente a Brigadeiro não lembra em nada o tão famoso doce, mas a áurea que envolve uma São Silvestre é contagiante e energizante.

Particularmente para quem nunca se imaginou sequer correr, fechar o ano participando pela primeira vez da prova mais emblemática do país, me fez entender que valeu a pena o desafio que propus. E aqui, não entra pace, é sobre definir metas, ser resiliente, começar e ir até o final. E sim, sou capaz!.

Estamos nos primeiros dias de 2024 e já tenho alguns objetivos: minha intenção é continuar correndo, participar e concluir um novo ciclo de quilometragens e treinar para ganhar novos horizontes e ser a melhor versão de mim mesma.

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