O dia em que meu mundo desabou os planos foram adiados!

POR VANESSA BORGONOVI – Aos 40 anos fui diagnosticada com Artrite Reumatoide e Espondilite Anquilosante.

Ainda estou na fase que chamamos de “aceitação”e “adaptação”da doença. Descobri a doença em meados de 2018, após uma artroscopia no ombro (foco das minhas dores) e uma forte crise no joelho.

E hoje infelizmente não venho aqui compartilhar alguma aventura sobre corrida, treino ou alguma das minhas histórias…

Hoje eu vou contar minha reação diante a um problema que nós não imaginamos acontecer conosco.

Venho deixar um alerta a toda e qualquer dor estranha que você sentir em seu corpo. Ela pode ser sinal de uma doença Autoimune.

Bom vamos lá…

Final do ano de 2017 sentia dores insuportáveis em meu ombro direito, no início achei que era por estar usando muito o celular ou computador, mas depois vi que algo estava errado. Meu ombro começou a travar diversas vezes ao dia e aí resolvi procurar uma ajuda médica.

Realizei uma RM do ombro e nela foi constatado que havia um ”corpo estranho” de 5mm solto e que este estava entrando na articulação e fazia com meu meu ombro travasse. Juntamente a isso foi observada uma artrose na parte posterior do ombro. Meu ortopedista, diante das imagens na mão informou que poderíamos fazer uma artroscopia para retirar esse corpo estranho e que tudo ficaria no lugar.

Ai que veio a surpresa…

Após a cirurgia recebi a notícia que a gravidade da lesão era um pouco pior. Eu não tinha mais cartilagem nenhuma no ombro o que foi muito preocupante, visto que nunca fraturei ou lesionei o ombro.

Passaram 15 dias do pós cirúrgico e lá fui eu para a fisioterapia… 40 sessões intermináveis…

Retorno ao ortopedista 3 meses depois e eu reclamava muito ainda da dor, embora meu ombro nao estivesse mais travando, eu sentia apenas aquela queimação horrível.

Lá fui eu ser virada do avesso de tantos exames: Raio x de todas articulações, RM de perna, sacro, ombro e lá fui eu encaminhada para o reumatologista.

E aí que veio a BOMBA, ao chegar no reumato com aquelas imagens, ele me indicou uma série de exames de sangue e me falou: “ainda não quero dizer nada, preciso de algumas confirmações”, mas já antecipo um pré diagnóstico: Artrite Reumatoide.

Eu na hora o questionei: AR não é doença de gente velha? AR não é aquela doença que nos atrofia?

Calmamente meu reumato me respondeu: não é bem assim. Estamos fazendo um pré-diagnóstico e se isso se confirmar, hoje a medicina está muito evoluída, existem diversos tratamento e logo você poderá voltar a levar sua vida normalmente.

Sai do consultório com aquela sensação do SE…

Realizei todos exames que o reumatologista solicitou e lá fui eu semanas depois receber aquela notícia que você não espera:

“Vanessa, está confirmado: você é portadora de artrite reumatoide e de uma outra doença um pouco mais grave chamada espondilite anquilosante, ambas com tratamento, porém sem cura.

Ele foi me explicando tudo sobre os possíveis tratamentos, reações e o que realmente era uma doença autoimune e o pior: PARE TODA E QUALQUER ATIVIDADE FÍSICA NESTE MOMENTO, pois a doença está muito avançada já temos foco no joelho, ombro, quadril, sacro e precisamos neste momento tomar o controle dela para que você não tenha fortes crises e possa gradativamente voltar às suas atividades pois para uma doença autoimune é extremamente importante manter o corpo em movimento. Naquele momento eu não estava acreditando em ouvir tudo aquilo. Desde o princípio ele foi gentil em suas palavras, mesmo ele dizendo que era difícil para ele me dar essa notícia, aquilo estava sendo muito mais difícil para mim e acreditem, eu ainda não estava acreditando. Parece que o mundo naquele momento parou, minha cabeça girava e eu não conseguia falar. Foi algo que eu nunca senti na vida, pois como disse, nós nunca achamos que isso vai acontecer com a gente.

Saí daquela consulta dolorida de tão tensa que fiquei, e chorando demais. E claro, aquela famosa pergunta para Deus: Porque eu? Porque tem que ser assim? E minhas filhas e minha família? E meu trabalho?

E tudo mudou até meu jeito de ver as coisas embora ainda busco respostas do porque eu estou passando por tudo isso.

E assim estou vivendo, depois de dois ciclos de medicações sem sucesso, agora meados de janeiro incio um novo ciclo. Se eu disser que não sofri e que não venho sofrendo estaria mentindo, estou liberada para 30 minutos diários de atividades leves que me deixam tão felizes como se estivesse concluindo uma maratona ou batendo aquele RP.

Tenho dias bons… Tenho dias ruins…

O conselho que dou para todos os portadores de doença autoimune é não desistam, é difícil, mas você consegue passar por qualquer coisa na sua vida. Confie e assim como tudo esta caminhando para mim, também irá caminhar para você.

Todos os dias acordo sorrindo e repetindo a mim mesma: Um dia de cada vez!

Quero agradecer todas as manifestações de carinho que tenho recebido e o que digo a vocês é: NÓS, PACIENTES CRÔNICOS, CONHECEMOS NOSSAS DOENÇAS E NOSSAS DORES!

AS VEZES PRECISAMOS MAIS DE UM “TÔ AQUI” DO QUE CURAS MILAGROSAS.

Com carinho

Vanessa Borgonovi

Portadora de AR, EA e brevemente corredora novamente

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