Tendinopatia do tendão calcâneo

POR RENAN CALORI – No post de hoje falaremos sobre uma reclamação muito escutada, vinda sempre de corredores que convivem com uma dor chata atrás do calcanhar. A tendinopatia do tendão calcâneo incide 30 vezes mais em quem tem a corrida como hábito do que em quem não corre. Vamos entender o motivo do ponto de vista biomecânico.

O tendão do calcâneo está localizado entre a panturrilha e o osso calcâneo, no calcanhar. É formado pelos músculos da panturrilha – o músculo solear e as  duas cabeças do músculo gastrocnêmio. As fibras deste tendão são alinhadas de modo paralelo e longitudinal, ajudando a distribuir melhor a carga do corpo a cada passada. Trata-se do tendão mais grosso e forte do corpo humano sua função é ajudar a absorver e distribuir a carga que vem do solo e do nosso corpo a cada passada. Quando seu funcionamento falha por algum motivo, surge a dor no local.

É o processo degenerativo das fibras de colágeno desse tendão, ocasionado por uma sobrecarga mecânica que faz a tendinopatia surgir. Ela pode ser classificada em dois tipos: a não insercional, que acontece na porção média do tendão, cerca de dois a seis centímetros acima do osso calcâneo; e a insercional – também chamada de entesopatia -, que acontece no local da inserção do tendão com o osso calcâneo.

Em minha última coluna falamos sobre fascite plantar (http://gorunning.com.br/fascite-plantar/) e lá vimos que alguns fatores de risco podem ocasionar a dor. O principal determinante para sentir dor são os desequilíbrios na sua corrida. Com os dois tipos da tendinopatia não é diferente. Se durante a sua corrida houver quaisquer desvios nos movimentos do pé, joelho, quadril ou tronco que levem a um desalinhamento dessas fibras, a distribuição das forças fica prejudicada e pode sobrecarregar o tendão calcâneo. Caso seu pé fique voltado para dentro (supinado) em cada passada, seu corpo “afunde” a cada impacto com o solo, ou haja uma rotação do corpo a cada passo, pode haver torções no local.

Alguns fatores de aumento de incidência da tendinopatia são índice de massa corpórea (IMC) elevado, pé rígido ao correr, diminuição de força de extensão do tornozelo, diminuição da amplitude de movimento da flexão do tornozelo e o uso de calçados mais rígidos são alguns fatores de risco. Alterações ósseas, como a deformidade de Haglund, uma projeção do osso calcâneo na parte superior, também cooperam para o surgimento da patologia.

Contudo, não há motivo para desespero. Existem medidas que podem amenizar a dor característica desta tendinopatia e uma ótima maneira de tentar prevenir o surgimento da dor é realizar exercícios excêntricos. Para fazê-los, basta apoiar seu pé no chão e elevar a parte da frente. Depois, desça o pé devagar, de forma controlada. Três séries de 15 repetições são suficientes para ajudar. Exercícios de pliometria, com saltos curtos e rápidos no mesmo lugar, também são úteis.

Esses exercícios podem melhorar o cenário da dor, mas não são um tratamento. Para identificar a causa da tendinopatia e o motivo pelo qual ela está lá, uma avaliação médica é necessária. Se você tem dor nessa região, converse com seu treinador ou com seu fisioterapeuta, para que seu quadro não seja agravado. É possível alterar a maneira com que corremos para corrigir sobrecargas!

E você, já sentiu essa dor? Deixe seu comentário!

Fique ligado no próximo post, quando falaremos sobre uma dor que incomoda e gera dúvida em muita gente: a famosa  “canelite”.

RENAN CALORI – Formado em fisioterapia pela Universidade de São Paulo (USP), especializado em Fisioterapia no Esporte e Exercício pelo Hospital das Clínicas.  Supervisor da extensão acadêmica Fisioterapia Pró Seleção e da Liga de Fisioterapia Esportiva da USP. Fisioterapeuta no Instituto Branca Esportes e sócio fundador e fisioterapeuta da MOV4- Fisioterapia Esportiva.

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