Brasileiros participam da Comrades Marathon na África do Sul

POR ANDREA FUNK – No próximo domingo (10/06) acontece a 93ª. Edição da Comrades Marathon, conhecida como a “Ultimate Human Race” e considerada a rainha das ultras. É a ultramaratona mais famosa do mundo, com percurso de 86,73 km (53,89 milhas) e este ano contará com cerca de 23 mil participantes do mundo inteiro, incluindo 234 brasileiros – um acréscimo de 30% em relação ao ano passado. Do total dos participantes, mais de 85% são do continente africano (África do Sul e demais Países).

Comrades é uma palavra da língua inglesa que significa “camaradas”. O evento aconteceu pela primeira vez em 1921 em homenagem aos camaradas da Primeira Guerra Mundial. Além dos anos 1941-1945 (2 ª guerra mundial), quando o evento não aconteceu, mas tem acontecido a cada ano desde então. A prova acontece anualmente em Kwazulu-Natal entre as cidades de Durban e Pietermaritzburg e a cada ano tem o sentido alternado com a direção de Pietermaritzburg a Durban conhecida como a prova com descida (down run) e a direção de Durban a Pietermaritzburg (uphill).

Conversamos com o corredor brasileiro Nato Amaral, que é o embaixador no Brasil da Comrades Marathon e que já concluiu a prova 15 vezes – ele já está na África do Sul ansioso por sua 16ª participação. Nato acaba de lançar a obra 90Km, que discorre sobre variados temas, orbitando pelos assuntos relacionados às corridas de rua e, sobretudo, à Comrades Marathon. A narrativa concentra-se nas lições extraídas pelo autor, resultado de décadas dedicadas ao esporte, intensa pesquisa e ampla gama de conquistas pessoais, pulverizando desconfianças e superando um grave problema de saúde.

Confira a entrevista:

Go Running – Apesar de você já ter participado tantas vezes, ser embaixador da prova, qual a sua expectativa e o que te motiva a correr todos os anos?

Nato Amaral – A expectativa é de grande emoção, sempre com humildade e respeito, como se fosse a primeira prova. É claro que eu sinto frio na barriga e sempre sentirei. Essa prova mexe muito comigo. E sou motivado pelo desafio de completar a prova todos os anos, ano após ano, degrau por degrau, até atingir a marca de 20 Comrades, o que deve ocorrer em 2022, se tudo der certo. E seguir correndo a prova, pois em 2025 haverá a 100ª edição, histórica, imperdível.

Go Running – A Comrades é o que chamamos de prova “casca grossa”, mas exerce um grande encanto nos corredores. Por que você acha que isso acontece?

Nato Amaral – Por sua história, seu magnetismo, sua aura e o respeito e admiração que ela provoca em quem a completa. Acima de tudo, a prova fomenta o Espírito da Comrades, que nada mais é que o espírito de camaradagem, amizade, fraternidade a ajuda ao próximo. E isso é contagiante para quem participa da prova.

Go Running – Que conselho você dá para quem vai participar pela primeira vez?

Nato Amaral – Respeite a prova. Não subestime a distância nem o percurso. Comece com estratégia conservadora, pois um início muito agressivo pode ter alto preço a pagar no terço final da prova.

Go Running – Pelo perfil de prova, a Comrades é para poucos? Ou todo mundo pode sonhar em correr? Nato Amaral – Definitivamente, é para poucos. Mas os poucos são  grandes sonhadores e ao mesmo tempo atletas que tenham experiência considerável em maratonas e uma condição atlética e de saúde minimamente adequada para enfrentar com segurança um desafio das proporções de uma Comrades.

Também conversamos com alguns corredores brasileiros que vão participar da Comrades Marathon e falaram sobre a expectativas em relação à prova:

NILSON PAULO LIMA (6a edição consecutiva)

“A expectativa é sempre boa, uma prova desafiadora, mas festiva e com o envolvimento intenso da população. O frio na barriga não mais, até por que eu sempre tenho outros desafios em paralelo e isto ajuda a equilibrar a ansiedade. O que me atraiu a fazer a Comrades foi tudo gira no em torno da corrida. O trabalho que fazem de apoio a orfanatos, a grande participação de voluntários e, claro, a imensa diversidade cultural, além do desafio de testar o corpo em 90 kms. A dica que dou para quem vai fazer pela primeira vez  é, claro, já ter uma certa experiência com provas longas e se dedicar na preparação. Participar de grupos com pessoas que já conhecem a prova pode ajudar”.

 

ELIANE LILIKA (3a. participação consecutiva)

“Frio na barriga eu vou ter sempre, cada prova é uma prova, mesmos sendo a mesma. Fico com frio na barriga toda véspera dos treinos longos, são 6/7 meses de dedicação, dieta, treinamentos, tudo pro grande dia, o medo conversando com pessoas mais experientes na mesma prova, terei sempre e isso é bom. Medo como forma de respeito. Me ajoelho diante da grandeza dessa prova. Minha expectativa é fazer a prova e passar por todos os cortes.

Eu me apaixonei pelo clima da prova, as pessoas, energia, o fundo social que a mesma respresenta. acredito que todo ultra deva fazer ela uma vez na vida, Mas acredito que o plano deva ser por dois anos de início, visto que fazendo dois anos seguidos vpcê faz o back to back, sobe e desce – pra dizer eu fiz e senti como é.

Para os novatos, digo apenas que aproveitem cada km, vivam a prova, e estejam certos que mesmo os mais experientes se igualam ali, antes da largada. E tenham respeito, por você e pela prova. Agradeça muito por poder estar ali, agradeça também a essas pessoas que estao na rua, pra ver você passar, adiante, sempre adiante, assim como a vida, não pára… você também não deve parar nunca”.

LEANDRO CARVALHO (5a. edição consecutiva)

“A Comrades é muito mais que uma corrida. O envolvimento é enorme, a história, com mais de 90 anos, passou por diversos capítulos, como a época da 1ª Guerra Mundial – que foi a ideia da criação da prova como uma forma de homenagem aos soldados sul africanos mortos durante a guerra. É um evento que move e comove a todos, não só os atletas – o povo sai a rua, fazem churrasco, colocam o sofá à beira do trajeto, incentivam muito todos atletas. É incrível, muita “camaradagem” , que é o significado do nome da prova “camaradas” ! Antes de participar, não imaginava que uma corrida iria me impactar tanto.  A parte da caridade é também muito impactante! Esse ano será um ano especial, pela primeira vez a chegada será no estádio que sediou a copa do mundo, o “Moses Mabhida” com certeza a chegada será ainda mais emocionante”.

 

 

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