O que é a síndrome da banda iliotibial ou o joelho do corredor

POR RENAN CALORI – Já sentiu dor na lateral do joelho para correr? Neste post falarei sobre uma lesão com incidência de 1.6% a 12% na dor no joelho em corredores. Falaremos hoje da síndrome da banda iliotibial (SBIT), que também é conhecida como “joelho do corredor”.

A banda iliotibial é um tecido forte e grosso, que vai desde a lateral do osso da pelve ou bacia se conectando com músculos como o glúteo máximo, até a região lateral e anterior do joelho na tíbia, passando por toda a região lateral da coxa. A função da banda iliotibial é ajudar o joelho na extensão do joelho em seus graus graus finais e a flexionar a partir dos 30°. Outra função da banda é auxiliar na estabilização lateral do joelho.

Muitos estudos consideram que na SBIT acontece uma fricção entre a banda iliotibial com uma parte lateral do fêmur, o epicôndilo lateral (foto). Essa fricção acontece no final da extensão e entre 20 a 90° de flexão do joelho. Entre a banda e o osso existe uma bolsinha com líquido dentro, que é chamada de bursa. A fricção inflama essa bursa causando inflamação no local, o que leva dor. Porém estudos mais recentes apontam que entre essas estruturas existe uma camada de gordura vascularizada e inervada junto a um tecido conjuntivo, e que sua lesão  é a causa da dor.

É comum sentirmos dor em pontada na região lateral do joelho a cada passo, com a parte lateral e anterior da coxa tensionadas e doloridas, além de crepitação e inchaço no joelho. Como a banda iliotibial sai da cintura e vai até o joelho, desalinhamentos nesses dois lugares durante a corrida podem estar relacionados com a causa da dor. Esses desalinhamentos podem levar a banda a tracionar e gerar sobrecargas no joelho a cada passo. Alguns movimentos que se estão relacionados com essa lesão são: a pelve ou bacia rodar para frente ou inclinar/cair a cada apoio, e o joelho varizar, ou seja, se voltar para fora do eixo do corpo.

Em todos os post anteriores apontei a mecânica da corrida como uma possível causa das lesões nos corredores. Em cada texto foram apontadas algumas causas biomecânicas que podem ocasionar a lesão abordada, como o pé voltado para fora no caso da canelite (http://gorunning.com.br/canelite/). É indispensável entender como o nosso sistema nervoso está executando a corrida. Quando a causa da sobrecarga é identificada, atuamos diretamente nela e mudamos o jeito de correr, deixando a corrida menos lesiva e mais eficiente.

Mas afinal, por que o sistema nervoso é citado em todos os posts? Vamos sair um pouco das patologias e entender melhor o que significa toda essa história de mecânica de corrida … O que a mecânica da corrida tem a ver com o sistema nervoso?  Fique ligado no próximo post para descobrir. Nele falarei sobre a reeducação funcional da corrida.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *