POR DERECK OAK (*)
Fui conhecer de perto a experiência da Pardinho Artesanal, no interior de São Paulo, durante um evento que reuniu corrida, vinhos e gastronomia. Mais do que uma produtora de queijos, a Pardinho construiu um verdadeiro ecossistema em torno da origem dos alimentos, acompanhando todas as etapas do processo, do manejo dos animais à experiência final na mesa.
A marca é reconhecida pelos queijos artesanais produzidos com leite cru de vacas Gir e Girsey, seguindo uma filosofia baseada em território, tempo de maturação e produção autoral brasileira. Tudo acontece dentro da própria fazenda, localizada na região das Cuestas de Botucatu, cercada por áreas preservadas, pastagens e caves subterrâneas onde os queijos amadurecem lentamente.
Um dos aspectos que mais me chamou a atenção foi o rigor com o controle de qualidade e a rastreabilidade dos produtos. Quando falamos de leite cru, estamos diante de um processo que exige conhecimento técnico, monitoramento constante e elevados padrões sanitários. Não por acaso, a Pardinho conquistou certificações importantes e alcançou um feito histórico: foi a primeira produtora a exportar um queijo brasileiro de leite cru para os Estados Unidos.
Durante a visita, também tivemos a oportunidade de conhecer de perto o manejo dos animais e a proposta sustentável da fazenda. Um exemplo interessante é o aproveitamento do soro do leite, utilizado na alimentação dos porcos criados na propriedade, dentro de um ciclo produtivo integrado que reduz desperdícios e valoriza os recursos gerados pela própria produção.
Os queijos apresentam perfis bastante distintos. Há opções mais suaves e cremosas, além de maturações prolongadas com aromas mais intensos, notas amanteigadas e amadeiradas e a presença marcante de fungos e mofos naturais. É uma demonstração clara de como fatores como terroir, microbiologia e tempo de maturação influenciam diretamente o sabor e a identidade de cada produto.
A Pardinho Trail Experience trouxe duas opções de percurso: uma caminhada de 2 quilômetros com um ponto de degustação e uma prova de 6 quilômetros com três estações ao longo do trajeto. Em cada parada, os participantes experimentavam um queijo da família Pardinho harmonizado com vinho e acompanhamentos como geleias e compotas. A proposta combinava atividade física, contato com a natureza e experiências gastronômicas em meio às trilhas e paisagens da região.
Outro detalhe interessante é que os vinhos e diversos ingredientes utilizados nas harmonizações também são produzidos por empreendedores locais. Isso reforça a valorização do território e mostra como diferentes produtores da região compartilham características que se refletem na qualidade e na identidade dos alimentos.
Ao final do percurso, os participantes encontraram uma estrutura acolhedora, com ativações, degustações, massagens, música e um almoço assinado pelo renomado chef Jefferson Rueda. Mesmo reunindo mais de 300 pessoas, o evento manteve uma atmosfera próxima e acolhedora, graças ao cuidado da equipe da Pardinho e de seus colaboradores.
Como nutricionista e profissional que atua no desenvolvimento de produtos, considero extremamente enriquecedor conhecer iniciativas que valorizam origem, técnica, matéria-prima e produção artesanal em um nível tão elevado. Em um cenário cada vez mais dominado pela praticidade e pelos alimentos ultraprocessados, experiências como essa reforçam a importância de compreender de onde vem aquilo que colocamos no prato.
Outro ponto relevante foi conhecer a linha de queijos zero lactose da marca. A oferta desse tipo de produto representa um avanço importante, especialmente diante do aumento no número de pessoas que desenvolvem intolerância à lactose ao longo da vida.
“Ter opções de queijos zero lactose é fundamental para ampliar o acesso a alimentos de qualidade sem abrir mão do sabor e do valor nutricional. Além disso, quando falamos de produtos que oferecem entre 21 e 24 gramas de proteína a cada 100 gramas, estamos diante de alimentos que podem desempenhar um papel estratégico na dieta, contribuindo para atingir as necessidades proteicas diárias. Na prática, isso facilita a composição de refeições simples e equilibradas, como um pão com ovos e queijo no café da manhã, promovendo mais saciedade, qualidade nutricional e prazer ao comer”, destaca.
No fim das contas, a experiência mostrou que alimentação saudável vai muito além da contagem de calorias. Ela passa pela qualidade dos ingredientes, pela valorização dos produtores, pelo respeito aos processos e pela conexão entre prazer, cultura e bem-estar. E quando tudo isso pode ser vivido correndo por trilhas, apreciando belas paisagens e descobrindo novos sabores, o resultado se torna ainda mais especial.
Sobre Dereck Oak (@nutridereck)
Nutricionista clínico e esportivo, formado pela Universidade Católica de Santos (UNISANTOS) e pós-graduado em Nutrição, Metabolismo e Fisiologia do Exercício Físico pela USP. Atua há 8 anos no mercado de suplementos alimentares e esportivos, inicialmente trabalhando na área de marketing e depois como consultor de nutrição e de desenvolvimento de produtos. Atende em consultório presencial em São Paulo e online para todo o Brasil e no exterior. Atleta amador de fisiculturismo e entusiasta de outras modalidades como corrida e natação.








